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Projeto Inclusão Educacional - Ensino Fundamental

Projeto de Parceria em Processos de Inclusão Educacional - Ensino Fundamental

Apresentação:

A Apae de Sapiranga realiza uma parceria com as redes de escolas regulares deste município, visando proporcionar apoio ao processo de inclusão de alunos com necessidades educativas especiais na rede de ensino público municipal, neste caso, compreendendo mais especificamente o ensino fundamental.

A APAE dispõe de equipe interdisciplinar que atende semanalmente crianças e adolescentes em idade de frequentar o ensino fundamental. Consideramos muito importante para um expressivo número destas crianças e adolescentes, que eles possam ser incluídos na rede regular para o desenvolvimento de seus potenciais. Se a atual LDB incentiva a inclusão, consideramos que, em muitos, casos pode ser bastante importante que os professores tenham apoio neste processo, o que muitas vezes não acontece suficientemente. Assim, a APAE se propõe a colaborar nos processos de inclusão através da realização de reuniões mensais, nas dependências desta instituição, com a participação dos terapeutas e professores da APAE que compõe o CAE (Centro de Atendimento Especializado) e dos professores e monitores das escolas regulares de Sapiranga, que atendam diretamente, em suas turmas, alunos em situação de inclusão, pacientes da APAE, ou que tenham interesse em participar do projeto.

Tais reuniões teriam duração de uma hora e meia e seriam previamente marcadas – sempre nas segundas 2ªs feiras de cada mês. As escolas se comprometeriam em organizar-se para que os professores possam participar.

O andamento das reuniões se daria com o relato e discussão sobre os processos educacionais dos alunos. A partir de cada relato, os professores resgatam seu direito à palavra, a narrar as situações de conquistas e dificuldades vividas por eles e seus alunos. Com esses relatos, os demais professores participantes tomam conhecimento de novas experiências e contribuem com as suas próprias, já que a proposta pretende dividir as responsabilidades pelo processo de inclusão.

Consideramos fundamental para a eficácia do ato educativo e, portanto, do processo de inclusão, que o professor possa autorizar-se a ssumir a responsabilidade por sua prática. Essa responsabilização não significa decidir tudo sozinho, ou carregar sozinho o ônus de um aparente insucesso. Significa, isso sim, que sua palavra tenha peso, seja ouvida e que ele próprio se autorize e receba sustentação da instituição ao qual está vinculado, para criar iniciativas educacionais de acordo com seu estilo e sair da perplexidade que muitas vezes acaba acontecendo, diante de casos de extrema complexidade.

Objetivo Geral

Colaborar nos processos de inclusão educacional nas redes públicas regulares de ensino de Sapiranga, dos alunos em idade de frequentar o ensino fundamental, que sejam atendidos na APAE/Sapiranga, ou sejam oriundos dessa Instituição.

Objetivo Específico

Criar espaços de narrativa, onde os professores e monitores possam falar dos processos de inclusão que acompanham com seus alunos, visando o compartilhar de experiências, a co-responsabilização e o auxílio mútuo, entre professores, monitores e profissionais da APAE.

Justificativas

A proposta de um espaço de discussão interdisciplinar se justifica devido a vários aspectos:

- A inclusão educacional é uma proposta justa, com a qual a APAE concorda. Esta proposta está cada vez mais divulgada e conhecida da população em geral. Em função dessa divulgação, a demanda de escolarização de crianças e adolescentes com necessidades educativas especiais cresce a cada dia, ficando ao encargo dos docentes darem conta da mesma. Assim é preciso muito apoio para a criação das condições necessárias à sustentação dos processos inclusivos, pois, em sua grande maioria, os docentes não têm recebido em sua formação o preparo para atender essa clientela.

Por outro lado, é muito grande a complexidade das patologias dos alunos (por exemplo, casos de autismo e psicoses associados ou não a quadros orgânicos como síndromes diversas, paralisia cerebral, entre outros). Essa complexidade, aliada à singularidade do estilo e dos limites pessoais de cada ser humano como os professores, os alunos, e os demais componentes da comunidade escolar, faz com que não existam técnicas generalizantes que possam ser utilizadas de forma idêntica em cada caso de inclusão. Acreditamos que podemos dispor, apenas, de princípios norteadores - a inclusão precisa ser reinventada a cada caso.

- Acreditamos que existe, atualmente, uma tendência a um cientificismo, que tende a tomar todos os saberes como objetos que estariam de posse dos “especialistas”, desreconhecendo os saberes dos pais e dos professores, promovendo efeitos de fragilização da eficácia dos atos de ambos.  

Consideramos que a criação de espaços interdisciplinares de fala para os professores pode gerar efeitos favoráveis ao reconhecimento de seus saberes e à reinvenção de cada caso de inclusão, a partir do reconhecimento das singularidades de cada educador e cada aluno.

- Justificamos, ainda, essa proposta, devido à importância fundamental da atuação interdisciplinar para os processos de inclusão.  A criança em processo de inclusão vivencia experiências que deixam marcas fundamentais para seu desenvolvimento. O convívio com as demais crianças e com os educadores poderão oferecer-lhes referências identificatórias em que possam espelhar-se tendo como efeito a promoção de seu desenvolvimento global. Por outro lado, experiências ruins poderão comprometer toda escolarização posterior, o que, devido aos efeitos nos pais poderá, por exemplo, cristalizar a criança em um lugar de deficiente, refletindo-se em mais dificuldades no próprio desenvolvimento global da criança.

Considerações Finais

É comum a ocorrência de reuniões interdisciplinares para tratar de casos onde uma crise já está instalada. Consideramos que nestes casos, embora ainda seja necessário, o trabalho interdisciplinar fica bastante limitado em seus efeitos, pois normalmente, o grupo de profissionais só volta a reunir-se quando de uma nova crise. Assim, não se encadeia um trabalho com continuidade, com troca de experiências e agregação dessas experiências, pois há sempre um “incêndio por apagar”.

Nossa proposta é tentarmos fazer mais de que nos limitarmos a apagar incêndios, embora muitas vezes isso se faça necessário.

Equipe da APAE Sapiranga

Jane Dodde Schuh – Diretora da APAE de Sapiranga
Beatris Venter - Fisioterapeuta da Clínica e Escola
Luciana Cátia Loose Pereira – Fonoaudióloga da Clínica e Escola
Rosângela Terezinha Machry  – Professora do laboratório de aprendizagem do CAE (APAE)
Izabel Cristina Masera - Professora atuante no atendimento pedagógico individualizado do CAE (APAE)